O Kid Abelha anunciou o retorno aos palcos com a turnê Eu Tive um Sonho, que marca o reencontro de Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato após uma pausa de 14 anos. A série de 10 shows pelo Brasil terá início no dia 12 de junho, no Rio de Janeiro, cidade onde a trajetória da banda começou.

A nova turnê reúne a formação clássica do trio, com Paula nos vocais, Bruno na guitarra e George dividindo-se entre saxofone, vocais, violão e bandolim. Segundo o material de divulgação do projeto, a iniciativa é descrita como um “presente para os fãs de várias gerações”. A organização ressalta que o projeto é grandioso e conta com uma equipe qualificada para a execução. Mesmo com a reunião, o texto oficial destaca que os três integrantes seguiram e continuam em caminhos profissionais múltiplos desde a última vez em que tocaram juntos.
O repertório da turnê deve resgatar sucessos que marcaram a carreira do Kid Abelha, como Nada Sei, Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda e Como Eu Quero. Após a estreia na capital fluminense, o grupo seguirá para outras nove capitais em diferentes regiões do país. O roteiro de apresentações inclui passagens por São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Brasília, Recife, Fortaleza, Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis. O objetivo é celebrar a história da banda com um espetáculo que reflete a trajetória de um dos nomes mais expressivos do pop nacional.
A primeira (e mais impactante pergunta): E o Leoni?
No entanto, uma das coisas que mais chamou atenção dos fãs neste anunciou (e gerou discussões nas redes sociais) é a ausência de Leoni nesta reunião. Mas o motivo talvez seja mais simples do que se pensa. Uuma combinação de fatores antigos e recentes. O primeiro deles está na própria saída do músico da banda, ainda nos anos 1980.
Segundo relato atribuído a Leoni em entrevista, a decisão de deixar o grupo nasceu de três frustrações centrais: a vontade de cantar mais, a falta de ensaios e a famosa confusão com Paula Toller que entrou para o folclore do rock brasileiro como a história da “pandeirada”.
Leoni afirmou que, desde o começo, queria mais espaço como cantor. No Kid Abelha, conseguiu interpretar algumas músicas, mas continuava se sentindo limitado. “No começo eu só tocava baixo. Depois aprendi a cantar e tocar ao mesmo tempo, e queria fazer mais. Mas no Kid não havia espaço para isso”, disse, segundo o texto anexado.

Outro incômodo era a rotina da banda. De acordo com o relato, o grupo ensaiava pouco, o que, na visão de Leoni, impedia a construção de uma identidade musical mais orgânica. “A gente ou estava gravando, ou em programa de TV, ou em turnê. Não havia tempo para desenvolver uma linguagem própria de banda”, afirmou.
O terceiro ponto é o mais lendário. Segundo a mesma reconstrução, a saída ganhou forma definitiva após uma briga nos bastidores em 1987, quando Paula Toller teria arremessado um pandeiro que atingiu o músico. Leoni disse que já havia avisado que deixaria a banda ao fim da turnê, mas que, depois da confusão, “ficou impossível continuar”.
A ruptura não foi pequena. George Israel já contou, anos depois, que a saída de Leoni foi um choque também para a própria estrutura do Kid Abelha. Em outra entrevista, ele disse que a gravadora “meio que deu uma desacreditada” na banda quando o baixista saiu. Isso mostra o tamanho do papel de Leoni na engrenagem criativa do grupo naquele momento.
Mesmo assim, Leoni rapidamente abriu outro caminho. Poucos meses depois, já estava gravando o primeiro disco do Heróis da Resistência, banda em que encontrou exatamente o espaço que dizia procurar. “Eu queria uma banda em que pudesse cantar, compor e tocar todos os dias. Nos Heróis, finalmente encontrei isso”, resumiu.

Se os desgastes antigos já ajudavam a explicar a ausência na reunião atual, os conflitos mais recentes tornaram esse afastamento ainda mais evidente. O texto lembra a disputa judicial envolvendo “Pintura Íntima“, música composta por Paula Toller e Leoni, usada em versões ligadas à campanha presidencial de Fernando Haddad, em 2018, sem autorização da cantora.
Paula levou o caso à Justiça e venceu. Segundo decisão mantida pela 16ª Câmara Cível do Rio de Janeiro, Leoni foi condenado a pagar R$ 50 mil por danos morais, além de valores ligados ao uso indevido da obra. A decisão mencionou “uso indevido da obra musical em campanha publicitária” e rejeitou a tese de que se tratava apenas de paródia ou liberdade de criação.
A venda de ingressos para a turnê Eu Tive um Sonho começa no dia 13 de abril. Os interessados podem adquirir as entradas a partir das 10h pelo site oficial da Ticketmaster ou a partir das 11h nas bilheterias físicas oficiais.




