Os nomes de Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes soam tão afinados que é difícil acreditar que só agora lançaram um disco juntos, fruto de mais de trinta anos de parcerias e de uma profunda afinidade estética. Após o reencontro marcante no palco do Coala Festival em 2024, surgiu a vontade de criar uma turnê com novas composições, dando origem ao álbum Vice-Versa. O título resume bem a essência da união: sentidos opostos e complementares que se traduzem no diálogo contínuo de canções sofisticadamente simples, que transformam a elegância e a precisão em música pop.
Guiado pela utopia da canção como força transformadora, o projeto contrapõe tranquilidade e inquietação em arranjos que transitam do samba ao rock e à timbalada. Suas faixas constroem um sujeito poético insubmisso que afirma sua autonomia diante das pressões externas, sem abrir mão do amor e da capacidade de se encantar. Por meio de enumerações e repetições, as letras denunciam o excesso de informações e a violência do mundo atual, fazendo um convite à introspecção e ao respiro uma paz que não isola, mas fortalece a consciência de ser um sujeito ativo e capaz.
Vice-versa: duas palavras sonoras, quase rimadas, sintéticas, com sentido oposto e complementar. Vice-versa, segundo o dicionário, são inversos mútuos, numa contradição apenas aparente. Isso se traduz perfeitamente, aliás, na única canção do disco não cantada em uníssono, “Agora Juntos”: “ lento e rápido”, “cais e caos”, “lixas e veludos”, “graves e agudos”, “claro e escuro”. Como pensar em um sem o outro?

Em canções como “Na Minha Carne Viva”, “Também Capaz”, “As Bancas de Jornais”, “Não Me Dão” e “Não Me Deu”, as muitas enumerações e repetições expressam o choque do excesso: de informações, de opiniões, de violência e de coisas. Como se os artistas afirmassem e mesmo nos invocassem para um tempo de mais introspecção, como em “Também Capaz”, em que se convida um “você” a “olhar pra dentro/ por um momento só/ estar consigo a sós/ fechar os olhos/ e respirar / experimentar a paz”. Uma paz que, não por ser solitária e introspectiva, remete ao isolamento. Ao contrário, uma paz que vem da consciência de ser um sujeito ativo e autônomo. Um sujeito capaz.
A turnê, que estreia em março de 2027, passará por seis cidades brasileiras, em uma realização da 30e e com apresentação do Itaú Live, plataforma proprietária de música do Itaú Unibanco. A pré-venda de ingressos para clientes do banco inicia no dia 23 de setembro, às 10h, enquanto a venda geral começa em 25 de setembro, ao meio-dia, no site oficial do projeto (acesse aqui). Confira abaixo as datas da turnê e, também, o release do disco, escrito por Noemi Jaffe.




