A nota mais elegante do samba fechou seu piano e partiu da última boate da vida. O cantor, compositor e pianista Benito di Paula morreu na noite deste domingo (18), aos 84 anos, em São Paulo. Internado no Hospital 9 de Julho, o artista enfrentava um câncer havia cerca de um ano, segundo sua assessoria. A morte foi confirmada por volta das 20h.
Nome artístico de Uday Vellozo, Benito nasceu em Nova Friburgo (RJ), em 28 de novembro de 1941. Filho de um músico amador, cresceu entre o piano, o bandolim e o violão e entrou cedo na carreira, ainda na adolescência, na própria cidade natal. Sua marca foi juntar o balanço do samba ao romantismo e ao som do piano, instrumento até então pouco presente no gênero. Dessa mistura nasceu um estilo próprio, que o colocou entre os grandes nomes da MPB e fez dele um dos rostos do chamado samba paulista.
Oriundo de noites de shows em boates, aprendendo e encantando, mais de três décadas de estrada e dezenas de álbuns, emplacou canções que atravessaram gerações. Retalhos de Cetim talvez seja a mais lembrada, ao lado de sucessos como Charlie Brown, Mulher Brasileira e Do Jeito Que a Vida Quer. Estima-se que tenha vendido cerca de 50 milhões de discos ao longo da carreira.
Desde então alijado do mercado fonográfico pela máquina das gravadoras, Benito apresentou somente mais dois álbuns com músicas inéditas, “A felicidade é nossa” (2017) e o relativamente recente “O infalível zen” (2021), disco com o qual celebrou 80 anos de vida. No entanto, nos últimos anos, a obra inovadora do cantor passou por processo de reavaliação e gerou tributos na área fonográfica e também no Carnaval.
Em 2025, o artista foi enredo da escola de samba Águia de Ouro, uma das mais importantes do Carnaval paulistano. A agremiação desfilou com o enredo “Em Retalhos de Cetim, a Águia de Ouro do jeito que a vida quer” e com a presença do próprio Benito, emocionado, em um dos carros alegóricos.
Em nota, a equipe do artista ressaltou seu legado. “Ao longo da carreira, emplacou canções que se tornaram clássicos populares e consolidou uma obra reconhecida por sua personalidade artística”, diz o comunicado. “Sua partida deixa uma lacuna na música brasileira e encerra a trajetória de um artista que marcou a história do samba e da canção popular no país.”
No entanto, o aval mais importante, o do público, sempre foi dado de imediato a esse cantor, compositor e instrumentista que deixa o nome gravado na história da música popular do Brasil ao morrer a um mês de completar 85 anos.
Perde-se um piano, mas fica a elegância no samba, marca deste Benito di Paula, entre o romance e a apoteose de noites que não voltam mais.




