Silhueta icônica: Fender quer exclusividade sobre o formato da Stratocaster

Poucos instrumentos são tão presentes na música quanto a guitarra elétrica. Do rock ao pop, passando por blues, country, jazz, indie e até pela música gospel, ela se tornou uma linguagem universal. Entre os inúmeros modelos já produzidos, poucos alcançaram o status da Fender Stratocaster, lançada em 1954 e transformada em um dos desenhos mais reconhecidos da história da música.

É justamente esse formato que está no centro de uma disputa judicial na Alemanha. Depois de vencer, no fim de 2025, uma ação contra uma fabricante chinesa que não apresentou defesa, a Fender passou a sustentar que o corpo da Stratocaster pode ser protegido por direitos autorais como uma obra de arte aplicada, e não apenas por marcas registradas.

A partir de março de 2026, quando tornou pública a decisão, a empresa iniciou uma série de notificações a fabricantes e varejistas europeus. Em maio, diversas empresas receberam cartas pedindo a interrupção da venda de guitarras com desenho semelhante ao da Stratocaster. O caso ganhou repercussão internacional em julho, quando a Yamaha confirmou à agencia Reuters que havia recebido uma dessas notificações.

Poucos dias depois, a Fender processou a varejista alemã Thomann, proprietária da marca Harley Benton, acusando alguns de seus modelos de reproduzirem o desenho clássico da Stratocaster. A Thomann contesta a tese da Fender e afirma que o formato se tornou um padrão da indústria depois de décadas sendo utilizado por fabricantes de todo o mundo. Para a empresa, além do apelo estético, o desenho também atende a necessidades funcionais de ergonomia e conforto.

A discussão lembra uma antiga derrota da Fender nos EUA. Em 2009, a empresa não conseguiu registrar como marca o formato da Stratocaster porque as autoridades entenderam que aquele desenho já era amplamente utilizado por outros fabricantes. Agora, porém, a estratégia é diferente: a disputa acontece no campo do direito autoral, e não das marcas registradas.

Ainda não existe uma decisão definitiva que impeça a venda de guitarras inspiradas na Stratocaster na Europa. Mas o desfecho desse processo poderá influenciar os limites da proteção de um dos designs mais famosos da história da música e redefinir o futuro de um mercado que, há mais de sete décadas, se inspira na mesma silhueta.

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