Um dos nomes mais importantes da história da música country, a cantora e atriz Dolly Parton morreu nesta terça-feira (25), aos 80 anos. A notícia foi comunicada pela família da artista nas redes sociais, em uma mensagem publicada por seu sobrinho, Bryan Seaver, que durante mais de duas décadas também atuou como chefe de segurança da cantora. A causa da morte não foi divulgada.
A despedida foi anunciada de uma maneira planejada pela própria Dolly. Segundo o sobrinho, ela havia pedido anos atrás que ele fizesse a comunicação quando esse momento chegasse. Em tom emocionado, ele lembrou a personalidade generosa da cantora e afirmou que ela viveu “cercada de luz”.
A morte de Dolly acontece depois de um período em que a cantora vinha enfrentando problemas de saúde. No ano passado, ela começou a reduzir algumas atividades e chegou a adiar apresentações que faria em Las Vegas. Posteriormente, os shows foram cancelados de forma definitiva. Já nos últimos meses, Dolly falou publicamente sobre dificuldades relacionadas à saúde e afirmou que estava se recuperando, além de reconhecer que os últimos anos haviam sido especialmente difíceis depois da morte do marido e parceiro de uma vida toda, Carl Dean, em 2025.
Ainda há poucos dias antes de sua morte, a cantora ainda havia conversado com a revista People sobre sua condição e sobre os planos que continuava mantendo para o futuro, e mesmo enfrentando limitações, dizia que ainda tinha projetos que gostaria de realizar. Recentemente, ela foi incluída no Hall da Fama do Rock, mesmo com as indagações um tanto cômicas e desconfortáveis da artista por não se considerar “uma artista do estilo”, mas aceitando a honraria com o mesmo carinho de sempre.
Dolly Rebecca Parton nasceu em uma família numerosa e humilde no Tennessee, nos EUA. Era uma das 12 crianças de Robert e Avie Lee Parton e cresceu em uma região rural, em uma casa sem eletricidade e encanamento. A música era parte da rotina familiar. As canções religiosas ouvidas na igreja e os instrumentos tocados por parentes ajudaram a formar a identidade musical que acompanharia Dolly por toda a vida.

Ainda criança, ela começou a cantar em programas de rádio e televisão locais. Na adolescência, já demonstrava que queria transformar a música em profissão. O caminho a levou para Nashville, cidade considerada um dos grandes centros da música country americana. Foi ali que Dolly começou a trabalhar como compositora e, pouco depois, passou também a construir seu espaço como cantora.
Dolly nunca foi apenas uma intérprete. Sua principal marca estava na capacidade de transformar experiências, sentimentos e histórias simples em canções que alcançavam milhões de pessoas. Foi assim com “Coat of Many Colors”, inspirada na infância pobre e na roupa feita pela mãe com pedaços de tecido. E também com “Jolene”, uma história de ciúme e insegurança que se transformou em uma das músicas mais conhecidas de sua carreira.
Mas talvez nenhuma composição represente tanto sua trajetória quanto “I Will Always Love You”. A música foi escrita por Dolly quando decidiu encerrar sua parceria profissional com o cantor e apresentador Porter Wagoner. A canção se tornou um grande sucesso na voz da própria Dolly e ganhou uma dimensão ainda maior quando Whitney Houston gravou uma nova versão para o filme “O Guarda-Costas”.
Ao longo da carreira, escreveu cerca de três mil músicas e vendeu mais de 100 milhões de discos. No entanto, Dolly também conseguiu algo que poucos artistas do gênero alcançaram: levou sua música para além do público tradicional do country, investindo cada vez mais em uma sonoridade acessível a diferentes públicos e encontrou outro espaço de destaque no cinema.
Sua estreia nas telas aconteceu no cômico “Como Eliminar Seu Chefe” em 1980, ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin. Além de atuar, Dolly compôs a música-tema do filme, “9 to 5”, que se tornou outro de seus grandes sucessos. O trabalho lhe rendeu uma indicação ao Oscar e abriu caminho para outros filmes, entre eles “A Melhor Casa Suspeita do Texas”, junto de Burt Reynolds, e “Rhinestone – Um Brilho na Noite”, contracenando com Sylvester Stallone.
Ao longo dos anos, Dolly também acumulou alguns dos principais reconhecimentos da música americana. Além da entrada do Hall da Fama do Rock, a artista também recebeu 11 prêmios Grammy, além de outras importantes homenagens por sua contribuição à música e à cultura. Sua influência também pode ser percebida nas gerações seguintes. Artistas de diferentes estilos gravaram suas músicas, entre eles Whitney Houston, Beyoncé e Miley Cyrus, sua afilhada.

E o legado de Dolly Parton também foi construído longe dos palcos. Uma das iniciativas mais conhecidas da cantora é a Biblioteca da Imaginação, projeto criado para incentivar a leitura entre crianças. A iniciativa começou em homenagem ao pai de Dolly e, com o passar dos anos, se expandiu para diferentes regiões e países, distribuindo centenas de milhões de livros gratuitamente.
Dolly também investiu em educação, ajudou comunidades atingidas por desastres e destinou recursos para diferentes causas sociais. Seu nome ainda está ligado ao Dollywood, parque temático localizado no Tennessee, estado onde nasceu e cresceu. O empreendimento ajudou a transformar a região em um importante destino turístico.
De acordo com a família, o funeral de Dolly será realizado em uma cerimônia pequena e privada, apenas para parentes próximos. A decisão segue um desejo da própria cantora. Fãs e admiradores foram convidados a homenageá-la por meio das redes sociais. A família também pediu que, em vez de flores, sejam feitas doações para a Biblioteca da Imaginação.
Na União FM, o programa Quinta Clássica chegou a homenagea-la este ano, no especial dedicado ao dia da mulher, no dia 12 de março, recordando a efeméride dos 80 anos de vida da lenda do country, cujo sorriso, alegria espontânea e simplicidade ficam como marca de quem, muito cedo e de forma tão sincera, conquistou o mundo falando de amor, campo e alegria.




