Musica internacional perde a voz intensa e rouca de Bonnie Tyler aos 75 anos

Silêncio no Pais de Gales e no som que marcou os anos 1980. Bonnie Tyler, uma das vozes mais marcantes da música pop e do rock dos anos 80, morreu aos 75 anos. A informação foi confirmada por um comunicado divulgado pela família e pela equipe da artista, que faleceu em um hospital em Portugal onde estava em tratamento após complicações de saúde recentes.

Bonnie havia sido internada em maio em Faro, no sul português, cidade onde mantinha uma casa, para passar por uma cirurgia intestinal de emergência. Na sequência, chegou a ser colocada em coma induzido para auxiliar na recuperação. Em junho, uma atualização publicada no site oficial informou que ela já não estava em coma, mas continuava “muito debilitada” e internada em terapia intensiva.

Dona de um timbre rouco, dramático e imediatamente reconhecível, Bonnie se tornou um dos grandes nomes da música internacional com sucessos que atravessaram décadas. Sua interpretação intensa transformou canções como “Total Eclipse of the Heart”, “Holding Out for a Hero” e “It’s a Heartache” em clássicos presentes até hoje em rádios, trilhas sonoras, karaokês e playlists saudosas.

A rouquidão que se tornaria sua assinatura vocal ganhou ainda mais destaque após uma cirurgia nas cordas vocais, realizada nos anos 1970 e, da qual, não seguiu as recomendações médicas para se cuidar. Em vez de limitar a carreira, o timbre áspero e potente deu a Bonnie uma identidade rara, aproximando sua interpretação do rock, da música country e das grandes baladas pop.

Nascida Gaynor Hopkins, em Skewen, no País de Gales, Bonnie Tyler começou a cantar em clubes locais antes de chamar a atenção da indústria musical na década de 1970. Após assinar contrato com a RCA Records e adotar o nome artístico que a consagraria, iniciou uma sequência de sucessos internacionais. “Lost in France” colocou a cantora no Top 10 britânico em 1976 enquanto “It’s a Heartache” tornou-se um fenômeno mundial no fim da década, alcançando o Top 5 nos EUA e consolidando sua carreira no cenário internacional.

O auge mundial veio em 1983, quando Bonnie lançou “Total Eclipse of the Heart”, escrita e produzida por Jim Steinman. A música chegou ao primeiro lugar nas paradas do Reino Unido e dos EUA, tornando-se uma das power ballads mais emblemáticas da década. No mesmo ano, o álbum “Faster Than the Speed of Night” levou Bonnie ao topo da parada britânica de álbuns, se tornando a primeira artista feminina britânica a estrear diretamente no número 1 da parada de álbuns do Reino Unido.

Outro momento decisivo veio com “Holding Out for a Hero”, gravada para a trilha sonora do filme “Footloose“. Lançada nos anos 1980, a canção ganhou nova vida ao longo das décadas em filmes, séries, comerciais e releituras nas redes sociais, consolidando Bonnie como uma artista de impacto além das paradas musicais.

Mesmo com o fim do auge comercial nos EUA e no Reino Unido, Bonnie seguiu popular especialmente na Europa e aqui no Brasil, onde sua fanbase é grande e suas canções clássicas ainda permeiam playlists, festas e emissoras de rádio (como a União) ao longo dos anos.

E, com certeza, Bonnie continuará rodando em cada cantinho como uma nota saudosa de tempos onde o sucesso, nas festas ou nos romances, atendia pela rouquidão de uma mulher que trafegava entre a doçura e a intensidade. Notas de uma voz, notas de uma persona inesquecível e única como Bonnie Tyler.

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